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Quinta, 07 Junho 2018 08:22

Dificuldade com a Matemática pode ser transtorno de aprendizagem

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Bruna Braga (*)

Existem muitos alunos que têm dificuldades na aprendizagem da Matemática. Segundo eles, isso acontece por causa do jeito de ensinar do professor ou porque eles consideram a disciplina complexa. Já para muitos professores ocorre o contrário. Para eles, os alunos não aprendem simplesmente porque têm preguiça e desânimo para pensar, refletir e raciocinar sobre os exercícios propostos. 

 

É importante que fique claro, no entanto, que esses bloqueios podem ter outra causa. Dificuldades em resolver problemas; relacionar quantidades a números; consultar tabelas; distinguir direito e esquerdo, entre outras questões, podem estar associadas a um transtorno de aprendizagem conhecido como discalculia, que ocorre devido à má formação neurológica caracterizada pela incapacidade de avaliar, refletir e raciocinar sobre conceitos matemáticos. O transtorno pode variar de pessoa para pessoa e é identificado isoladamente ou em combinação com outros transtornos, como por exemplo, a dislexia.

Segundo Kosc apud García (1998), a discalculia está associada a seis subtipos de dificuldades matemáticas específicas, que são:

Verbal – dificuldade para nomear as quantidades, os números, os termos, os símbolos e as relações;

  • Practognóstica – dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou imaginários;
  • Léxica – Dificuldade na leitura de símbolos matemáticos;
  • Gráfica – Dificuldade na escrita de símbolos matemáticos;
  • Ideognóstica – Dificuldade em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos;
  • Operacional – Dificuldade na execução de operações e cálculos numéricos. 

Essas dificuldades são persistentes e, muitas vezes, maiores do que o esperado para a idade do aluno, impedindo que ele desenvolva algum ou vários tipos de habilidade matemática. Ao perceber esses bloqueios, se faz necessário encaminhar o aluno para consultas com profissionais especializados (psicólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos), que realizarão testes que poderão confirmar ou descartar o transtorno de discalculia. Assim que for diagnosticado, o aluno precisa iniciar o tratamento, que envolve atividades e intervenções direcionadas especificamente para cada caso. 

Para auxiliar os alunos com discalculia, os professores de matemática podem adotar algumas ações durante as aulas. Uma delas é utilizar exemplos concretos do cotidiano que conectam a Matemática à vida real. Podem também aproveitar auxílios visuais ao resolver problemas; usar papel milimetrado para ajudar a manter os números alinhados; e utilizar pedaços de papel para cobrir a maior parte das atividades propostas, a fim de que o aluno possa se concentrar em cada uma das etapas ou entregar essas atividades separadamente, facilitando o foco e a atenção. 

Se identificado o transtorno de discalculia tardiamente, poderá haver prejuízo no desenvolvimento escolar e até mesmo comprometer o desempenho futuro do aluno em sua vida pessoal e profissional. 

(*) Bruna Braga é professora de Matemática com Licenciatura em Matemática e Pedagogia. Consultora Educacional na empresa Planneta Educação (www.plannetaeducacao.com.br), atua em projetos educacionais focados no ensino da Matemática de forma lúdica.

  

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